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Verônica Santana

Verônica Santana

2002 - Goiânia (GO), Brasil

Bacharel em Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás, dedica-se à prática da pintura, investigando a regionalidade e os ícones da cultura goiana e sertaneja a partir de um corpo dissidente que se inscreve como território simbólico. Em sua produção, o corpo surge como superfície atravessada por forças históricas, religiosas e territoriais, apropriando-se de símbolos consagrados da cultura regional e de aspectos do Cerrado para tensionar as estruturas cis, heteronormativas e conservadoras que historicamente delimitaram quem pode ou não representá-la no contexto centro-oestino.
Sua pesquisa artística orbita elementos emblemáticos do imaginário regional, como as máscaras das Cavalhadas, que, em vez de ocultarem o sujeito, amplificam sua presença. Operando quase como ornamentos de poder, essas máscaras instauram uma iconografia na qual o corpo dissidente reivindica a
cultura como sua, deslocando a tradição de um patrimônio exclusivo de corpos normativos para um
território vivo, atravessado por outras existências.
Nas produções há uma presença recorrente das onças, onde animalidade e ancestralidade se entrelaçam.
Ao aproximar esse animal do corpo dissidente, a pintura constrói uma analogia entre existências
historicamente marcadas pelo medo social, pela violência e pela tentativa de extermínio, mas que, ainda
assim, preservam força, astúcia e permanência. Nesse espelhamento, a animalidade não aparece como
metáfora de brutalidade, mas como forma de inteligência ancestral.
Ao articular corpo, território e símbolo, a pintura de Verônica Santana afirma a dissidência como parte
constitutiva do imaginário regional, realizando uma tomada legítima da cultura que lhe pertence por
direito e reinscrevendo presenças historicamente apagadas como fundamentos vivos do território e de suas narrativas.

Foi residente do Núcleo de Artes do Centro Oeste (NACO) em 2025.