1999 - Barreiras (BA), Brasil
Artista visual trans que se identifica como não-binária, baiana de Barreiras (distante 865 km da capital Salvador), utiliza fotografia, ilustração, pintura, bordado, vídeo e performance como plataformas de linguagem. Em 2016, iniciou o curso de Arquitetura no Instituto Federal da Bahia e em 2018 se mudou para Taguatinga (DF), onde vive e estudou Artes Visuais, Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Brasília (UnB).
Além da pintura e sobreposição de tecido, utiliza a arte popular contemporânea, mais especificamente o bordado livre, como forma de expressão estética e afetiva, que a leva às lembranças de sua mãe e sua avó, costureiras e bordadeiras, suas grandes referências, e seu pai, mecânico de barco, além do avô e tios pescadores.
Suas produções políticas questionam gênero e território, cruzando cores e símbolos aliadas à técnica e diferentes inspirações. Na fotografia, Jota tem um olhar “histórico alternativo”, que engloba tudo fora do digital – estuda revelação, filme, Van Dyke, cianotipia etc. Uma parte dos seus trabalhos tem como pesquisa o corpo com suas marcas e histórias a partir de vivências, respeitando a individualidade de cada um e tentando salientar a humanização dessas figuras.
Jota vem de uma leva bastante produtiva, entre lugares e residências que visita. Entre os exemplos, a série produzida no interior de Goiás, “Cortejo” (2022), em que retirou palhas do entorno e as bordou com símbolos do povoado local na cidade de Olhos D’água. “Vestígios D’água” (2021) se baseia em memórias fotográficas de uma família ribeirinha do oeste baiano. O rio, o peixe e o barco são elementos que se voltam para o afeto, representam o lar, o alimento e os altos e baixos desses entes interioranos. Já, em “Corte” (2021), sua pesquisa foi baseada em identidades sem gênero, discutindo corpos, suas dores, histórias e memórias.