1953-2007 - São Paulo (SP), Brasil
Fotógrafo latinoamericano. Nascido em São Paulo em 1953, Cannalonga veio de uma família pobre e, por isso, começou a trabalhar cedo. Um de seus primeiros empregos foi em um pequeno estúdio fotográfico, onde ganhou uma câmera de um colega mais velho. Em seguida, trabalhou em um pequeno estúdio de cinema, com foco em documentários, antes de sair para se dedicar integralmente à sua carreira fotográfica.
Ele passou esses primeiros anos trabalhando como fotojornalista para algumas das principais revistas e jornais do país, antes de se tornar freelancer em 1992 e se concentrar em projetos documentais em sua terra natal.
Ele documentou os assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a luta dos povos indígenas pela demarcação de suas terras e, principalmente, embarcou em um projeto de longo prazo – intitulado Filhos do Reino – explorando o complexo sincretismo religioso de seu país natal.
Trabalhou em vários jornais e revistas da grande imprensa. Sua paixão, no entanto, eram os povos indígenas, os sem-terra, as crianças camponesas, os excluídos do campo e da cidade. Tinha um fascínio especial pelos Guarani-Kaiová e desejava fazer com eles seu último ensaio fotográfico, já sabendo da doença que tomava seu corpo, vindo a falecer em 2007.
Cannalonga recusava o conforto nas viagens e caminhos pelas estradas e rios do Brasil, para poder se colocar no lugar de quem fotografava e, assim, revelar melhor rostos e corpos, expressões e sentimentos. Sabia olhar e registrar com incondicional respeito, trazendo íntegra a imagem do fotografado, em sua beleza e dignidade humanas.
Além de indígenas, sem-terras, crianças, mulheres, as fotos de Flávio Cannalonga revelavam muito dele próprio, do portador de um olhar especial e único. Embora não seja um nome conhecido do grande público, Flavio Cannalonga foi um dos fotógrafos mais perspicazes de seu tempo, um humanista profundamente perceptivo, que retratou seus compatriotas com honestidade, sensibilidade e habilidade.
Suas fotos estão presentes na Coleção Pirelli/MASP de Fotografia. Ao longo de sua carreira, ele conquistou o reconhecimento de profissionais do setor (recebendo diversos prêmios e uma bolsa do Icatú de Artes, que lhe permitiu viver e trabalhar em Paris por um ano); do Greenpeace, para quem começou a trabalhar por encomenda em 2002; e de seus pares, incluindo Elliot Erwitt (que o convidou para o encontro anual da Magnum em 2004), Cristina Garcia Rodero e Christian Caujolle, para citar apenas alguns. Contudo, grande parte de sua fama veio pouco antes de sua morte prematura em 2007, e, portanto, a extensão total de seu talento nunca foi verdadeiramente reconhecida. Entretanto, seu filho Francisco, que agora administra seu espólio, está dando continuidade ao seu legado e revelando ainda mais sua prodigiosa arte ao mundo.